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Educadores de Belo Horizonte celebram o nascimento e a santidade de Paula Frassinetti

publicado em 30.3.22
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No dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, reunimo-nos para a formação permanente de leigos. Para celebrar o nascimento, batismo e santidade de Paula, bem como o Dia da Mulher, colocamos lado a lado três grandes mulheres: Paula Frassinetti, Anne Frank e Hannah Arendt.

Com Anne Frank, construímos um diálogo do seu Diário com as Cartas da Madre Fundadora. Ali, descobrimos os registros escritos de duas mulheres que marcaram o seu tempo, sendo referência de tenacidade, esperança e fidelidade aos seus valores mais profundos. O Diário de Anne Frank, jovem de 15 anos que sofreu na pele os males do nazismo, foi traduzido para mais de 70 línguas diferentes e é lido no mundo todo, despertando nas pessoas a capacidade humana de fazer síntese, preservar a lucidez e exercer a criticidade diante de qualquer situação extrema. As Cartas de Paula Frassinetti, escritas para as Irmãs, são o testemunho da fidelidade de Paula à vontade de Deus e a capacidade de concretização de uma obra evangelizadora a serviço das pessoas, em especial das meninas e jovens mais pobres.

Já o encontro de Paula Frassinetti com Hannah Arendt foi o espaço da interlocução das suas Intuições Pedagógicas e Ideário Educativo com as provocações da filósofa sobre a Banalidade do Mal. Em seu tempo, Paula Frassinetti descobriu que a formação escolar de excelência é o caminho primoroso para que a pessoa se sinta amada, acredite nesse amor e cresça até a plenitude de sua maturidade. Hannah Arendt, filósofa e jornalista alemã, de origem judaica e vitimada pela perseguição nazista durante a Segunda Guerra Mundial, teve a oportunidade de, em 1961, acompanhar de perto o julgamento de Adolf Eichman, um dos articuladores da extradição dos judeus da Alemanha e dos países aliados de Hitler para os campos de concentração nazistas. Na observância do julgamento que durou um ano, Hannah Arendt desenvolveu a sua tese sobre a Banalidade do Mal.

Segundo a filósofa, o perfil psicológico de Eichman não era de um  serial killer e nem de um psicopata. Eichman era um homem absurdamente NORMAL e mediano. Em todo o percurso do julgamento, ele iria se dizer inocente ao afirmar que não matou nenhum judeu, não possuía nenhum problema com os judeus, senão apenas cumpriu ordens do protocolo nazista. Ele via as consequências de seus atos como ações banais, pois o mais importante era a observância cega das regras e decisões do Partido Nazista. 

Hannah Arendt traçou assim o perfil do acusado: um homem mediano e normal, que, em sua infância e adolescência, não foi um estudante de destaque, mas sonhava com a ascensão social e econômica. Completamente sem conteúdo e profundidade, tornou-se um oportunista, conseguindo chegar ao alto comando do Partido Nazista. Em sua vida, Eichman não desenvolveu a consciência de sua singularidade, por isso, tinha toda disposição para ser massificado. Contentou-se com a mediocridade e se servia de clichês e frases prontas para desenvolver o seu ponto de vista e, por último, nunca foi desafiado ao autoconhecimento e desenvolvimento da capacidade de pensar e discernir moral e eticamente por si mesmo. Por isso, era um homem banal, cometendo atrocidades de modo banal.

As constatações de Hannah Arendt validam a relevância de um Projeto Educativo que desperte no estudante o cultivo da excelência, da profundidade e do discernimento ético, elementos imprescindíveis no chão de uma escola doroteia. Desde Paula Frassinetti, a formação integral em uma escola doroteia supõe o desenvolvimento da inteligência, da vontade, da afetividade, da criatividade, do gosto, da capacidade manual, da relação com a natureza, da abertura ao Transcendente, da consciência social e cidadã, da criticidade, da solidariedade e do conjunto de todas as virtudes que tornam o ser humano protagonista e sujeito de sua própria história.

 

 

 

 

 

 

 

 
 
 


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